É isso que eu preparo: uma relação. Com a mesa, com o gesto de quem cozinha, com a matéria que vem da terra e do mar, com o tempo que cada momento pede — e com a hospitalidade que sustenta tudo isso, muitas vezes antes mesmo de você perceber que está sendo cuidado.
A gastronomia é o meu fio condutor, não o limite. É por ela que eu levo você a bairros, paisagens, produtores, casas e ofícios. E é por ela que o Japão se explica: como recebe, como produz, como transforma, como divide.
Por isso não desenhei esta jornada para você acumular lugares. Tokyo, Yamanashi e Fuji, Osaka e Kyoto são capítulos de uma mesma leitura: cidade e território, tradição e contemporaneidade, precisão e espontaneidade, silêncio e intensidade.
Alguns encontros pedem hora marcada. Outros pedem uma pausa, uma caminhada, uma escolha sua — ou simplesmente tempo. Reservo os dois com o mesmo cuidado: o que aproximo de você, e o espaço que decido não ocupar.
O meu desafio não é levar você aonde não poderia ir sozinho. Quase tudo nesta jornada está aberto a qualquer pessoa. O meu desafio é que você veja o que dificilmente veria sozinho — e que, ao fim de dez dias, o que fique não seja a lista do que visitamos, mas a sensação de um encontro de amigos à volta da mesa.
Victor Barros · Curador da jornada
Cada elemento precisa responder a uma pergunta: o que este encontro nos permite perceber do Japão que dificilmente perceberíamos sozinhos?